segunda-feira, maio 29, 2006
O luxo que se diz para todos, mas não é

A Cavalera desde a coleção de inverno 2005, inspirada na vinda da Família Real para o Brasil no ano de 1808, se intitula por meio de campanhas publicitárias, “Cavalera, Luxo para todos”, mas será?
Inspirando-se nos brasileiros a grife já trouxe a Família Real, buscou os nordestinos e, por fim, trouxe o expressionismo direto do Palácio do Ipiranga para ilustrar suas coleções, todas formas de deixar suas roupas com cara de Brasil e de seu povo, mas adiantou?
O “Luxo para todos” cai em uma contradição no ponto final do ciclo. Nas lojas o luxo da Cavalera é inacessível para a maior parte da população brasileira, que é de classe média baixa, o luxo da grife fica centrada para a classe alta, pois uma calça jeans da grife custa em média R$ 250.
Com um preço desse não adianta desfile com cara de nordeste, trazer senhoras cegas para rezar a procissão, fazer campanhas em tudo que é lugar dizendo “Cavelera, Luxo para todos”, a verdade nesta hora chega na loja uma mentira.
Segundo testemunhal da figurinista de Carlota Joaquina, Emilia Duncan, para a grife Cavaleira, “O luxo foi subvertido, pois obedece hoje a critérios subjetivos. Ele pode ser para todos”. Sim, existe o luxo, pode ser para todos, mas trabalhamos com a possibilidade de ser para todos e não com a realidade que não é para todos.
Pode ser para todos desde que o trabalhador compre uma peça da grife e pague em 24 vezes sem entrada e sem juros parcelado no carne da loja, porém, torna-se inacessível para aquele que ganha uma salário mínimo e tem de sustentar uma casa, não podendo alcançar certo luxo tanto almejado por ele.
Não culpo a Cavaleira por isso, todas as grifes que dizem “brasileiros fazendo roupas para brasileiros” cai na mesma situação da grife em questão, a frase correta seria “os ricos brasileiros fazendo roupas para outros ricos brasileiros”. Apenas citei o caso da Cavaleira, por ser o exemplo mais gritante de mentira social.
* Imagens: Desfile da Cavaleira inverno 2006 no Palácio do Ipiranga – Crédito: Divulgação.